A - I n f o s
a multi-lingual news service by, for, and about anarchists
**
News in all languages
Last 30 posts (Homepage)
Last two
weeks' posts
The last 100 posts, according
to language
Castellano_
Català_
Deutsch_
English_
Français_
Italiano_
Polski_
Português_
Russkyi_
Suomi_
Svenska_
Türkçe_
All_other_languages
_The.Supplement
{Info on A-Infos}
(pt) Brasil, Guarulhos: um longo dia...
From
Pablo Ortellado <paort@uol.com.br>
Date
Mon, 6 Jan 2003 16:01:15 -0500 (EST)
______________________________________________________
A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
http://www.ainfos.ca/
http://ainfos.ca/index24.html
________________________________________________
Um longo dia... e mais uma vez os tratores
Pablo <pablo@riseup.net>
Foi um longo e triste dia para os sem-teto acampados
em Guarulhos. Depois de expulsos de suas casas, em
Osasco, por tratores que destruíram todos os seus
pertences, de móveis a documentos, de roupas a
mantimentos - depois de tudo isso e depois de serem
assentados num terreno supostamente legal da
CDHU (companhia de habitação do estado), eis que
os tratores, protegidos pela tropa de choque apareceram,
mais uma vez, nessa manhã. Num período de
esperança, quando o Brasil vê eleito um presidente de
esquerda, o PT vai ser o agente da primeira grande
desocupação do ano.
O longo dia começou muito cedo, na madrugada, quando
os sem-teto reuniram madeiras, containers e outros
objetos grandes para fazer uma barricada na entrada
principal do terreno. O objetivo era segurar o despejo por
um dia - pois um recurso contra a ação de despejo estava
em trâmite e seria julgado na terça-feira. Esse despejo, por
ironia, tinha sido o resultado de uma articulação do prefeito
de Guarulhos, Elói Pietá, que desde o início não
gostou de ver milhares de sem-teto sob a sua jurisdição e
fez de tudo para expulsá-los. Dupla ironia - um prefeito
que ascendou com o apoio do movimento de moradia...
e do PT.
Às cinco da manhã a polícia chegou. Soldados da tropa de
choque e cavalos, muito cavalos, cachorros e um arsenal
assustador de bombas de gás lacrimogênio e concusão
(ironicamente chamadas de bombas de "efeito
moral"). A instrução que o comandante dos cavaleiros
proferia anunciava o espírito da ação: "Não é pra ter pena
de velho, de mulher, de ninguém. Quando entrarmos lá, vai
ser pra valer!", dizia - não para assustar os sem-teto, que
não estavam ali, mas para animar a tropa.
Enquanto os sem-teto se reuniam na porta principal e
esperavam ansiosos e temerosos o desfecho desse longo
dia, lá no alto, do outro lado do acampamento, rojões
anunciavam uma outra concentração de policiais, dos
quais um pequeno grupo logo se destacou, invadiu o
acampamento e agrediu moradores (um rapaz teve o
braço quebrado). Barricada era um acinte e
polícia tinha que poder entrar em qualquer lugar e
não podia ser bloqueada.
Assim, esse grupo de talvez 8 policiais, muito
mal-encarados, com escudos e bombas, simplesmente
invadiu o acampamento e passeou até a outra ponta onde
supostamente iria negociar. O major Fernando, um
sujeito educado e polido, cercado de policiais de cara
feia que faziam o jogo do "tira bom"/ "tira
mau", falou do papel social da polícia, da sua impotência
("estou apenas cumprindo ordens") e da necessidade de
negociar, para se evitar uma tragédia, um novo Eldorado
dos Carajás.
Idas e vindas, negociações com diferentes coordenadores
e com diferentes policiais - um major, um capitão e um
tenente que fazia o "tira mau" e, finalmente, é dado um
ultimato. Dez minutos. A assembléia se reúne. O
número de acampados já havia diminuído muito - de mais
de duas mil famílias em Osasco para apenas seiscentas
em Guarulhos, há mais de 70 quilômetros de distância -
e, destas, metade tinha fugido, com medo (justificado) da
polícia. Melhor se retirar de forma pacífica, mas para onde?
É feito um acordo, a polícia não entra, entram apenas os
caminhões... Dois minutos depois... A polícia pode entrar,
mas apenas para acompanhar e "proteger" os moradores
(de quem?). Dois minutos depois... Os tratores não
entram - apenas podem desfazer as barricadas... Ok, os
tratores entram, mas apenas para aterrar a parte
contaminada... Engraçado, a terra contaminada
não é aqui... Ok, os tratores só derrubarão os barracos
já desocupados... O que? Não desocupou ainda? Tem dois
minutos, o trator já está vindo...
E passam-se as horas e centenas de pessoas sentam-se
na rua ao lado de dezenas de caminhões que levarão seus
pertences, seus tão poucos pertences
para algum lugar - e na provavel ausência de lugar, para
um depósito.
São três da tarde e o dia que começou às três da manhã
ainda não acabou. E o tempo não passa e nada se define.
Não parece mais haver esperança. Só medo.
http://www.midiaindependente.org
*******
********
****** Serviço de Notícias A-Infos *****
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
******
ASSINATURAS: lists@ainfos.ca
RESPONDER: a-infos-d@ainfos.ca
AJUDA: a-infos-org@ainfos.ca
WWW: http://www.ainfos.ca/org
INFO: http://www.ainfos.ca/org
Para receber a-infos numa língua apenas envie para lists@ainfos.ca
a mensagem seguinte:
unsubscribe a-infos
subscribe a-infos-X
onde X= pt, en, ca, de, fr, etc. (i.e. o código de idioma)
A-Infos Information Center